ABB fica com 51% da área de distribuição de energia em baixa tensão da Mitsubishi Electric para ganhar escala na Ásia
A ABB pagará cerca de 79 bilhões de ienes por 51% de uma nova empresa que reunirá disjuntores, contatores e partidas de motor da Mitsubishi Electric. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.

A ABB fechou acordo para assumir 51% de uma nova empresa que reunirá o negócio de distribuição de energia em baixa tensão da Mitsubishi Electric. O anúncio saiu em 20 de outubro de 2026, e a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027. Os outros 49% ficam com a Mitsubishi Electric; adiante, a ABB poderá optar por comprar o restante.
A ABB pagará cerca de 79 bilhões de ienes por essa fatia e ainda leva, sozinha, toda a operação de vendas que a Mitsubishi Electric mantém fora do Japão. A ideia, nas palavras da fabricante suíça, é transformar uma presença limitada da área de Eletrificação no Japão em liderança num dos maiores mercados do setor. O alvo da empresa nova são os mercados asiáticos, com produtos de baixa tensão.
O que está no pacote
A unidade emprega cerca de 2.800 pessoas e tem fábricas em Fukuyama, no Japão, e em Hanói, no Vietnã. O portfólio inclui disjuntores, chaves, partidas de motor, contatores, dispositivos de comando, equipamentos de medição e monitoramento de energia e nobreaks. No ano fiscal encerrado em março de 2026, a receita foi de cerca de 102 bilhões de ienes.
As vendas fora do Japão, que passam inteiras à ABB, respondem por cerca de 15% dessa receita. O comunicado não diz em quais países elas atuam, nem se o Brasil está entre eles. A ABB projeta margem operacional de pelo menos 20% em até cinco anos.
O calendário tem etapas: a Mitsubishi Electric pretende constituir a empresa em 1º de dezembro de 2026, assinar o contrato de cisão em 1º de agosto de 2027 e transferir as ações em 1º de outubro de 2027, sujeitas a aprovações regulatórias. O anúncio coincidiu com os resultados do terceiro trimestre da ABB, em que os pedidos da área de Eletrificação subiram 70%, com os data centers apontados como principal motor.
O que isso muda aqui
*Sem efeito* — o negócio mira a Ásia, e nada no comunicado indica que a linha de baixa tensão da Mitsubishi Electric passe a ser vendida ou apoiada pela ABB no Brasil. Quem compra disjuntor, contator e partida de motor por aqui continua com o mesmo catálogo e os mesmos canais de hoje, e não há mudança de produto, preço ou assistência técnica a esperar no curto prazo.
O que vale acompanhar é o movimento. A ABB está comprando escala em distribuição de energia e dizendo que é por lá que cresce a demanda, enquanto a Mitsubishi Electric sai do controle de um negócio de componentes para ficar com o foco em automação de fábrica. Para integradores e painelistas, é um sinal de consolidação entre grandes fabricantes de componentes elétricos. Se o comunicado, mais adiante, listar as operações de vendas fora do Japão e o Brasil aparecer entre elas, aí sim o assunto passa a interessar a quem especifica e mantém quadros de comando.


