AGIBOT apresenta modelo de IA que segue aprendendo com o robô já em operação e promete abrir o código até o fim de 2026
A chinesa AGIBOT apresentou o GO-3 Preview, modelo que faz o robô aprender antes, durante e depois da instalação. Segundo a empresa, ele ficou em primeiro lugar em três testes de IA para robôs e terá o código aberto até o fim de 2026.

A AGIBOT, fabricante chinesa de robôs de uso geral, apresentou o GO-3 Preview, um modelo de inteligência artificial para robôs que aprende em três momentos: no treinamento inicial, no ajuste posterior e depois que a máquina já está trabalhando. A empresa chama a abordagem de aprendizado em ciclo completo.
Segundo a AGIBOT, o modelo ficou em primeiro lugar em 3 testes de referência para IA aplicada a robôs: RoboDojo, RoboTwin e RoboColiseum. A empresa diz que o código será totalmente aberto até o fim de 2026. São resultados informados pelo próprio fabricante, sem medição independente.
O GO-3 Preview funciona junto com dois sistemas da casa: o Genie Evolver, que refina o comportamento do robô em treino, e o Genie Master, que coordena o robô no trabalho real e guarda o que ele aprende.
Como o modelo aprende
No treinamento inicial, o GO-3 Preview combina entendimento da tarefa, previsão do que vai acontecer a seguir e geração do movimento numa única arquitetura. Ele aprende com vídeos feitos do ponto de vista de pessoas, que mostram como se mexe nos objetos, e com trajetórias de robôs, que ligam o que o robô vê ao que fez e ao resultado. Em tarefas novas, a empresa diz que o modelo consegue agir sem ajuste específico e melhora com poucas demonstrações quando a operação é mais delicada, como montar peças de brinquedo de encaixe.
Na segunda etapa, o Genie Evolver reúne uma frota de 100 robôs físicos, simulação de física e modelos do mundo, que testam outras decisões antes de o robô tentar de novo. A experiência de um robô vira aprendizado para toda a frota: acertos servem de exemplo e falhas mostram onde corrigir. Como demonstração, a AGIBOT cita um jogo de curling de mesa em que o robô, depois de poucas horas de prática, teria superado a taxa de vitórias de jogadores humanos comuns.
A terceira etapa é a que interessa a quem opera máquinas. O Genie Master registra tentativas certas e erradas e, ao fim de cada dia de operação, consolida o que serve em uma memória de longo prazo. Essas anotações também podem virar dados para novo treinamento da política de movimento. A AGIBOT diz ter mostrado o processo com o robô Genie G2 numa loja de conveniência real, onde ele teria identificado as causas das próprias falhas e melhorado sem demonstrações humanas nem ajuste manual. A empresa chama isso de autoaperfeiçoamento no mundo físico; não há dados de desempenho publicados na matéria.
O que isso muda aqui
*A caminho* — o GO-3 Preview ainda é uma prévia, e o que muda de fato para o Brasil depende da abertura do código prometida para o fim de 2026. Se ela sair como anunciada, universidades, laboratórios e integradores poderão testar o modelo em braços e robôs próprios, sem depender de contrato com um fabricante chinês.
Para quem opera ou integra automação, o recado é a mudança de lógica: o robô deixa de ser entregue pronto e passa a melhorar com o uso, o que levanta perguntas práticas sobre quem controla essas atualizações, onde ficam os dados da fábrica e como validar um comportamento que muda depois da homologação. A matéria não traz preço, prazo de entrega comercial nem canal de venda no Brasil, e os resultados nos testes ainda precisam ser reproduzidos por terceiros. Até lá, vale acompanhar a publicação do código e os testes de quem o rodar fora da AGIBOT.


