ANYbotics entrega o ANYmal X, robô de quatro patas certificado para atmosferas explosivas de petróleo, gás e química
A suíça ANYbotics lançou o ANYmal X, que diz ser o primeiro robô inspetor com patas certificado para atmosferas explosivas. Petrobras, Shell e BP estão entre as que testaram a máquina desde 2023.

A ANYbotics, empresa de Zurique que nasceu na universidade ETH em 2016, começou a entregar o ANYmal X, quadrúpede de inspeção que ela apresenta como o primeiro do mundo certificado para atmosferas explosivas. O alvo são plantas de petróleo, gás e química, onde pessoas só entram a pé com equipamento de proteção, detector de gás portátil e permissão de acesso.
O robô levou quatro anos de desenvolvimento e mais de 10 patentes. Segundo o presidente e cofundador, Péter Fankhauser, muitos especialistas achavam que um robô com patas nunca poderia ser seguro nesse ambiente. A certificação segue a norma europeia ATEX e a internacional IECEx.
A empresa afirma que mais de 50 clientes de energia, metais e materiais já usam o sistema, que faz mais de 120.000 inspeções autônomas por mês. Desde 2023, BP, Equinor, Shell, PETRONAS, Petrobras, BASF e SLB testaram o ANYmal X em centenas de missões em terra e no mar, num programa de acesso antecipado.
Como se certifica um robô que anda
Equipamento fixo costuma obter a certificação com caixas pesadas à prova de explosão ou limitando a energia elétrica. Um robô com patas não pode fazer nenhum dos dois: precisa de motores potentes, bateria grande, câmeras e sensores expostos, tudo num corpo leve o bastante para subir escada.
A solução foi tratar cada fonte possível de ignição, componente por componente. O computador de IA e os instrumentos de inspeção ficam em câmaras seladas, cheias de nitrogênio. Cascos não metálicos isolam as peças de metal, os pés condutores aterram a máquina e cortes automáticos vigiam a temperatura. Os 12 atuadores das pernas e a bateria ficam em invólucros à prova de chama, e a carga e a transmissão de dados passam por barreiras de energia, sem conexão exposta à área de risco.
O robô leva sensores térmicos, visuais, acústicos e de gás para achar superaquecimento, vazamento, ruído anormal e desgaste. Os dados vão para a plataforma Shift, que agenda as missões, organiza os achados por ativo e os liga ao software de manutenção da planta, incluindo SAP, Yokogawa e SLB, em um sistema operado sob a norma de segurança da informação ISO 27001. Segundo a empresa, não é preciso alterar a instalação.
O que isso muda aqui
*A caminho* — a Petrobras aparece entre as empresas que testaram o robô, o que indica interesse em refinarias e plataformas brasileiras, mas a matéria não traz preço, prazo de entrega nem representante local. O ANYmal X será mostrado em público pela primeira vez na feira ADIPEC 2026.
Para quem opera planta de petróleo, gás, química ou etanol, a notícia importa menos pelo robô e mais pela certificação: era ela que mantinha as áreas classificadas fora do alcance da inspeção autônoma. Quem integra e mantém sistemas de manutenção deve olhar a ligação com o software da planta, que transforma a ronda em ordem de serviço. O que ainda não se sabe: o custo, a aceitação da certificação por laudos brasileiros e o desempenho fora dos testes da própria fabricante. Vale acompanhar os resultados da ADIPEC e dos testes com a Petrobras.


