Dream Labs capta US$ 90 milhões e abre API que transforma imagem de câmera e texto em comando para qualquer robô
A startup de São Francisco levantou US$ 90 milhões em rodada inicial e liberou a Dream API, que converte a imagem da câmera e uma instrução em texto em movimento de robô, mesmo de modelos que nunca viu.

A Dream Labs, de São Francisco, anunciou US$ 90 milhões em rodada inicial, liderada pela B Capital e pela Kindred Ventures. Junto veio a Dream API, interface aberta ao público que recebe o vídeo da câmera do robô e uma instrução escrita em inglês simples e devolve comandos de motor, inclusive para robôs que a empresa nunca viu.
O argumento é que a fábrica mundial tem 5 milhões de robôs industriais, quase todos programados para uma única tarefa, e que ensinar um robô a fazer uma coisa pode levar meses de especialistas. Mudou a tarefa ou o hardware, recomeça-se do zero.
Aprender com vídeo, não com a máquina
O modelo principal, o Dream-1, foi treinado com vídeos de pessoas fazendo tarefas do dia a dia: prevê o que vai acontecer em seguida e decide a ação do robô. Como não depende de uma máquina específica, a empresa afirma que a capacidade passa de um hardware para outro. Segundo ela, o Dream-1 controla sem dado extra um robô de dois braços com garras paralelas.
Hoje ele cuida de tarefas de bancada, como pegar e colocar objetos e dobrar roupa; robôs sobre rodas e mãos com dedos articulados virão depois. Há robôs de cerca de US$ 2.000 a US$ 10.000 na lista de compatíveis, mais de 20 parceiros de hardware e um serviço de ajuste fino: com poucas demonstrações, o desenvolvedor recebe um modelo sob medida em horas. Os modelos rodam em centros de dados da empresa, e há um ambiente de testes em que qualquer pessoa digita comandos para um robô do escritório de São Francisco.
O que isso muda aqui
*A caminho* — a API está aberta a quem tiver um robô com garra e uma chave de acesso, então integrador e escola técnica brasileiros podem testar já, sem comprar nada, pelo ambiente de testes. O que ainda não se sabe é preço de uso, latência a partir do Brasil, já que os modelos rodam em servidores da empresa, e desempenho fora da bancada.
Para a linha de produção a distância é grande: tarefa de bancada com braço barato não é célula industrial com requisito de ciclo e segurança. Mas a direção importa para quem vende e ensina robótica: o programa deixa de ser o gargalo e a conversa passa a ser dado de demonstração e validação. Vale acompanhar quando chegarem as mãos articuladas e os robôs móveis.


