Pular para o conteúdo
Instituto Automação

O que o setor de automação publica lá fora, lido daqui.

Notícia · IndústriaChega aqui

Por dentro da ABB Robotics em Sorocaba: o robô vem pronto da Suécia, dos EUA ou da China, e a linha é desenhada aqui

Em visita a jornalistas, a fabricante mostrou a oficina que reforma robôs, o centro que formou mil profissionais em três anos e a lógica dos centros de excelência: a aplicação madura chega de fora e é adaptada no Brasil, sem repetir a etapa de pesquisa.

4 set 20263 min de leituraa partir de Automação IndustrialPT
Oficina principal da ABB Robotics em Sorocaba, com braços robóticos laranja em bancadas de montagem e teste
Imagem: ABB · divulgação

Um robô industrial que sai de linha no Brasil nem sempre vira sucata. Na oficina da ABB Robotics em Sorocaba (SP), equipamentos chegam desmontados, recebem peças novas e voltam à operação; outros, abertos, servem de material didático para técnicos em formação. A cena foi mostrada a jornalistas na semana passada, a convite da ABB, na unidade inaugurada em 2022 com 4.000 m²: oficina, showroom, centro de treinamento, montagem e teste de células, armazém e escritório. O que sai dali também vai para Argentina e Chile.

Onde a engenharia acontece

O robô chega montado e testado das fábricas da Suécia, dos Estados Unidos e da China, com pelo menos 24 horas de rodagem antes de ser liberado. Engenharia de linha, periféricos e definição de processo são feitos aqui. "Quando um cliente aparece com a meta de produzir 50 carros por hora, é o time brasileiro que desenha a linha inteira", resume Wagner Anai, gerente de projetos para o setor automotivo, com 34 anos de casa.

O Brasil é um dos poucos países qualificados pela companhia como centro de excelência em bens de consumo e em automotivo, com um terceiro, de pintura automotiva, em formação. O atalho está nos centros globais de solução, na China e no Brasil: aplicação já resolvida em outro mercado é embarcada e ajustada ao cliente local. "Se formos desenvolver algo para bateria elétrica, não precisamos começar do zero, porque a China já tem essa tecnologia madura", disse Anai. Os robôs móveis autônomos, linha nova no portfólio, já têm pelo menos dez pessoas capacitadas na operação brasileira.

A escala global pesa no preço. A China responde por 54% da demanda mundial de robôs, o que sustenta a fábrica mais automatizada da companhia e derruba o custo unitário, inclusive do equipamento que desembarca aqui. A Federação Internacional de Robótica contou 295 mil robôs industriais instalados na China em 2024, de um total mundial de 542 mil.

Mil profissionais em três anos

O centro de treinamento capacitou mais de mil profissionais desde a abertura e recebeu no ano passado o controlador OmniCore, que roda ao lado do IRC5, ainda majoritário na base instalada brasileira. A fabricante leva bancadas móveis ao cliente e libera gratuitamente o RobotStudio, seu ambiente de simulação e programação offline. Boa parte do time técnico saiu do próprio centro: a empresa contrata estagiários e gente sem experiência e forma internamente, resposta que encontrou à escassez de mão de obra. O canal com o ensino técnico, que encolheu, está sendo retomado.

O parque atendido vai de mineração, metalurgia e siderurgia a alimentos e bebidas e implementos agrícolas; em laboratório, há fornecimento com especificação de sala limpa. A comparação internacional mostra o espaço: 204 robôs por 10 mil trabalhadores da indústria na América do Norte, 267 na Europa Ocidental, e um mercado brasileiro estimado pela própria ABB em cerca de 3.100 robôs.

Dois avisos da matéria: a companhia não abriu quantas dessas unidades são suas nem o faturamento local, e o número de mil profissionais é o mesmo divulgado em agosto de 2025. E há um movimento societário ao fundo: a divisão de robótica da ABB foi vendida ao grupo japonês SoftBank por US$ 5,37 bilhões, com aprovação da Comissão Europeia em março e fechamento previsto para este ano.

O que isso muda aqui

*Chega*: é a operação brasileira de um dos maiores fabricantes, aberta a quem quiser olhar. Para a PME, duas portas concretas: o RobotStudio gratuito, que permite simular uma célula antes de comprar qualquer coisa, e um centro de treinamento que recebe escolas técnicas e já contratou visitantes. A variável a acompanhar é a venda à SoftBank, porque suporte de longo prazo, peça e reforma são decisões do dono, e o dono está mudando.

Como este texto foi feito. Lida na fonte, escolhida e escrita por Pedro Oliveira, com crédito e link. Nada aqui foi traduzido ou redigido por máquina.

Mais em Notícias

ver todas