Schneider Electric vai comprar a PTC por US$ 22,6 bilhões para unir projeto, simulação e operação industrial
A Schneider Electric acertou a compra da PTC, dona do Creo e do Onshape, por US$ 22,6 bilhões. O fechamento é esperado só para o terceiro trimestre de 2027, e até lá o impacto para quem usa os programas é incerto.

A Schneider Electric concordou em comprar a PTC por US$ 22,6 bilhões, um dos maiores negócios já feitos em software de engenharia. A empresa de eletrificação e automação leva um portfólio de projeto auxiliado por computador (CAD) que inclui o Creo e o Onshape, além de programas maduros de gestão do ciclo de vida de produto, de aplicações e de serviço.
A PTC vinha dando sinais de mudança. A conferência anual de usuários, a LiveWorx, deixou de existir depois de 2023, ano em que a direção passou de Jim Heppelmann para Neil Barua. A relação com a Rockwell Automation esfriou, e a empresa vendeu à gestora TPG as marcas ThingWorx e Kepware, antes centrais na estratégia de conectividade industrial.
A aposta num fio digital único
O argumento da Schneider, nas palavras do presidente Olivier Blum, é criar um fio digital único para a próxima geração de inteligência artificial industrial: do projeto e da construção até a operação e a manutenção, com mais inteligência na otimização dos sistemas. Ou seja, juntar o desenho do produto, que nasce no CAD, com o que acontece depois na planta.
As duas empresas esperam fechar a operação até o terceiro trimestre de 2027. A PTC se recusou a detalhar o negócio e mandou apenas uma nota dizendo que, juntas, vão criar o portfólio mais completo entre o mundo físico e o digital.
O que isso muda aqui
*A caminho* — o negócio ainda precisa ser concluído, então nada muda hoje para quem usa Creo, Onshape ou os sistemas de gestão de ciclo de vida da PTC no Brasil. O que já dá para ler é a direção: fabricante de equipamento elétrico e de automação comprando o software em que o produto é projetado.
Para integradores, engenharias e fábricas que trabalham com Schneider, a tendência é de pacotes que liguem projeto, simulação e operação num só fornecedor, o que pode simplificar contratos e dados, mas também aumentar a dependência de uma marca. Quem hoje usa a PTC junto de outras plataformas de automação deve acompanhar o que acontece com licenças, preços e compatibilidade, porque a própria empresa não deu detalhes. Até o fechamento, vale tratar como sinal de mercado e não como mudança de produto.


