Dona da Universal Robots processa a JAKA na Europa por patente, o segundo caso do ano contra fabricante chinês de cobots
A Teradyne Robotics levou a subsidiária alemã da JAKA ao Tribunal Unificado de Patentes, em Copenhague, alegando cópia de hardware e software. Em fevereiro já havia processado a Elite Robots por direito autoral e obteve, em abril, uma liminar em Hamburgo.
A Teradyne Robotics, dona da Universal Robots, entrou com uma ação por violação de patentes contra a subsidiária alemã da chinesa JAKA. Segundo a empresa, as patentes cobrem hardware e software dos robôs colaborativos da Universal Robots, e a ação foi protocolada na divisão local de Copenhague do Tribunal Unificado de Patentes europeu porque os atos alegados ocorreram na Dinamarca e em outros países da União Europeia.
É o segundo caso do ano. Em fevereiro a Teradyne processou a subsidiária alemã da Elite Robots por violação de direito autoral, e em abril o tribunal regional de Hamburgo concedeu uma liminar proibindo a Elite Robots Germany de oferecer o software em disputa e os produtos que o contêm na Alemanha. "Aquele era um caso de direito autoral; este é de patentes, várias, e cobre aspectos significativos de hardware e de software", disse David Brandt, vice-presidente de P&D e CTO da Universal Robots, ao The Robot Report.
Como começou
Brandt conta que a empresa reparou na semelhança entre os braços das duas marcas, comprou um robô da JAKA e o abriu. "Ficou bastante óbvio que havia possível violação de patente." Uma decisão do tribunal unificado pode valer em 17 dos 18 países da União Europeia que participam dele, além de países fora do acordo, como o Reino Unido e a Espanha. A JAKA não respondeu ao pedido de comentário até o fechamento da matéria.
A Universal Robots já vendeu mais de 100 mil cobots. A Teradyne Robotics faturou US$ 100 milhões no segundo trimestre de 2026, contra US$ 91 milhões no primeiro e US$ 75 milhões um ano antes, no quinto trimestre seguido de crescimento; a maior parte vem da Universal Robots, o resto da MiR, de robôs móveis.
"Não é sobre a China"
Brandt insiste que a decisão não tem a ver com a origem da JAKA: "é sobre outras empresas copiarem o que nós projetamos, chinesas ou não". Ele reconhece a dificuldade estrutural de proteger um robô: "você tem que construir e entregar o robô ao cliente para ter um robô, e um concorrente pode comprá-lo, desmontá-lo e ver como projetamos". A empresa não busca principalmente indenização; quer que a JAKA pare. E, segundo Brandt, ela não será a última: "há outros robôs por aí suspeitosamente parecidos com os nossos".
O argumento que ultrapassa a briga comercial é o de segurança. A Universal Robots ajudou a criar o mercado de robôs que trabalham perto de gente, sob avaliação de risco e medidas adequadas. Cópias que não atendam ao mesmo padrão, diz Brandt, criam risco para além das duas empresas: "se alguém se machucar seriamente com esses produtos, isso pode refletir mal na indústria inteira" e levar reguladores a tratar cobots, em geral, como problema de segurança.
O que isso muda aqui
*Sem efeito*, no sentido estrito: decisão de tribunal europeu não alcança o Brasil, e nada impede um cobot da JAKA de ser vendido aqui amanhã. O que a disputa deixa para quem compra é um critério, não uma proibição: robô colaborativo barato e parecido com o original precisa da mesma avaliação de risco, da mesma documentação de segurança e da mesma norma que o original precisaria. A queixa de Brandt é justamente que a cópia pode não ter, e isso quem verifica é o comprador.
