China bloqueia a venda da ABB Robotics à SoftBank no país, por receio de dados de robôs treinarem IA no exterior
Reguladores chineses proibiram no país a compra da divisão de robótica da ABB pela SoftBank, negócio de US$ 5,375 bilhões. A ABB confirmou e diz seguir em diálogo com a compradora.

Passou de um ano desde que a ABB anunciou a venda da divisão de robótica ao grupo japonês SoftBank, por US$ 5,375 bilhões. Agora o negócio esbarrou em Pequim: o órgão chinês que analisa a segurança de investimentos estrangeiros proibiu a aquisição no país, e a ABB confirmou a informação ao veículo americano The Robot Report. A notícia foi antecipada pelo Financial Times.
Segundo o jornal, as autoridades temem que dados de robôs sejam enviados ao exterior e usados para treinar modelos de inteligência artificial. A China pesa nessa conta porque é parte relevante da receita da divisão: no terceiro trimestre de 2026 o negócio de robótica da ABB no país cresceu 32%, e cerca de 90% das máquinas vendidas a clientes chineses são fabricadas lá mesmo, na fábrica de Xangai.
Um precedente que não é isolado
Em abril, Pequim já havia barrado a compra da Manus, startup de IA fundada na China e depois transferida para Singapura, pela Meta, por US$ 2 bilhões. Nos Estados Unidos, o governo também endurece: o relatório da Seção 232 trata robôs e máquinas industriais importados como questão de segurança nacional, e a agência de comunicações do país já proibiu novos robôs avançados feitos fora, como humanoides e quadrúpedes. Em comum, a desconfiança de que o robô é também um coletor de dados.
A ABB diz estar em "diálogo próximo" com a SoftBank e trabalhando de forma construtiva no negócio. Não há prazo nem informação sobre como a venda seguiria sem a China.
O que isso muda aqui
*A caminho* — a decisão não mexe, por ora, no que a ABB entrega ao Brasil: a divisão segue sob o mesmo dono, e o robô que chega a Sorocaba continua o mesmo. O efeito vem depois, e depende de como o impasse termina. Uma venda adiada ou refeita pode mudar quem é o dono da marca, da política de dados e do software em nuvem que acompanha os robôs.
Para integradores e fábricas brasileiras, a lição prática é perguntar ao fornecedor onde os dados do robô são guardados e se servem para treinar modelos. A pergunta, que parecia exagero, virou critério de regulador. O que ainda não se sabe: se a ABB e a SoftBank encontram uma saída que satisfaça Pequim, ou se a venda sai incompleta.


